
As pilhas são de extremos. Ninguém contesta a sua universal utilidade. Mas são potencialmente poluentes, se deitadas para o caixote do lixo. Vêm em formatos pequenos. Porém, são numerosas, muito numerosas. Todos os anos, nada menos do que 107 milhões de unidades são comercializadas em Portugal, das tradicionais pilhas alcalinas para rádios ou brinquedos, a baterias de telemóveis e máquinas fotográficas.
Desta montanha, 19 milhões foram recolhidas e reenviadas para reciclagem em 2007 - um novo recorde nacional. Em 2004, quando se iniciou a colecta sistemática de pilhas em contentores próprios - os "pilhões" -, o número total não chegava aos oito milhões de unidades.
Hoje, há 12 mil pilhões instalados junto de ecopontos espalhados por todos os concelhos do país. Além disso, há três mil pontos especiais de recolha, como supermercados e lojas especializadas.
A reciclagem é um imperativo. Embora menos nocivas hoje do que no passado, as pilhas e baterias contêm metais pesados, como mercúrio, cádmio e chumbo. Se abandonadas num aterro sanitário, por exemplo, o seu conteúdo nefasto acaba por passar para o ambiente.
Além disso, muitas pilhas que estão a chegar ao fim de vida hoje foram produzidas há vários anos. Por um lado, em algumas aplicações as pilhas levam um longo tempo até se gastarem.
Por outro, há muita gente que guarda baterias velhas, ao invés de as deitar no lixo, à espera de uma solução melhor em termos ambientais. "Ainda há pilhas dos anos 1980 na casa das pessoas", afirma Eurico Cordeiro, director-geral da Ecopilhas, a empresa criada pelos fabricantes para gerir a recolha e reciclagem das baterias usadas em Portugal.
Foi a pensar nisso que a Ecopilhas distribuiu já um milhão de mini-pilhões, para a recolha doméstica.
Mas ainda há muito a fazer. A taxa de recolha em Portugal está nos 18 por cento. A licença atribuída pelo Governo à Ecopilhas fixava uma meta de 25 por cento em 2003 e 50 por cento em 2005. Eram valores ambiciosos e a própria Comissão Europeia exige, agora, os 25 por cento só em 2012.
Outros países estão mais à frente. Em 2005, na Bélgica a taxa de recolha estava já nos 52 por cento, na Áustria, 43 por cento, na Alemanha, 35 por cento e na Holanda, 34 por cento, segundo a Associação Europeia de Baterias Portáteis.
É para a Áustria que vão as pilhas recolhidas em Portugal, para serem recicladas. O processo envolve diversas fases e, no final, mesmo os maiores poluentes são reaproveitados. O cádmio, por exemplo, é muito procurado para aplicações industriais.
Com o preço do metal em alta nos últimos anos, o custo da reciclagem tem caído substancialmente. Com isso, o ecovalor que os produtores - e, no final, os consumidores - pagam para garantir um fim ambientalmente seguro para as pilhas também tem baixado. Para uma pilha alcalina tradicional, o valor caiu 58 por cento entre 2003 e 2008.
A escolha da bateria mais amiga do ambiente não é fácil. Eurico Cordeiro diz que as recarregáveis, como as baterias de telemóveis, contêm mais materiais poluentes. Mas, em compensação, duram mais tempo e valem mais depois de usadas - devido aos materiais que se reaproveitam - e, por isso, têm mais estímulos para serem recolhidas.
"Na hora de se optar, tem de se ter em conta o tipo de aplicação", resume o director-geral da Ecopilhas.

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